quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Mensagem de Fim de Ano

Aos Irmãos de todas as Potências Rosacrucianas, Martinistas e Maçônicas;
Às congregações Cristãs Gnósticas, Esotéricas e Exotéricas;
Aos Irmãos de toda e qualquer Religião;
Aos espiritualistas ecléticos;
Aos ateus:

Paz, Tolerância, Caridade!


Sobrevivemos a mais um anunciado fim deste mundo, que, por mais que o agridamos, se vem renovando constantemente. Se tudo é símbolo, o que, então, extrair dessa passagem, além das tantas piadas apocalípticas que tomaram conta da internet?

Todo fim implica a chance de um recomeço. Vale aqui a conhecida máxima de Lavoisier: "na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".

Na história de nossas vidas, não há um ponto final. Mesmo no momento derradeiro, em que nossos corpos morrem aos olhos do mundo, um Ser espiritual, mais ou menos iniciado e, portanto, mais ou menos consciente, desprega-se da matéria, dando início a um novo ciclo de Vida, no qual a morte nada mais foi/é/será do que um instante.

Se esse Ser espiritual viesse a agarrar-se à morte, ou ao que a precedeu, ainda assim estaria vivo; porém, cego, não enxergaria a Luz de sua verdadeira Pátria.

E é exatamente assim que nos encontramos quando, ainda em vida terrena, nos apegamos àquilo que encaramos como um fim e não nos desgarramos do que lhe precedeu.

Se perdermos o que quer que seja - um emprego ou um grande amor, por exemplo -  e nos apegarmos à ideia de que não merecíamos passar por isso, nos martirizando com a repetição de que demos o nosso melhor e não fomos valorizados - ainda que isto seja verdade -, perderemos também a visão das inúmeras oportunidades que se abrem à nossa frente. Desde a realização de uma aventura com que sonhávamos já na infância até o encontro casual e inesperado com o amor de nossas vidas, tudo pode acontecer.

O passado já não existe: o que existe, aqui e agora, são as lembranças e as lições que dele extraímos, quer nos momentos de glória e alegria, quer nos de fracasso e dor. Embora normalmente só se pense em extrair ensinamentos dos momentos difíceis, devemos começar a praticar o exercício de extraí-los, também, dos bons momentos.

Assim, ganhamos consciência da estrada e nos tornamos gratos por percorrê-la. Essa gratidão certamente nos ajudará a enfrentar os momentos difíceis e a seguir em frente, principalmente se conjugada ao perdão.

De mãos dadas com a gratidão, o perdão nos liberta do passado. Por isso, disse o Mestre para perdoar "não apenas sete vezes, mas setenta vezes sete". Afinal, quando perdoamos, deixamos de nos apegar à figura de quem nos fez mal e, assim, nos damos uma oportunidade para cuidar de nós mesmos, de prosseguir nossa própria jornada. Ao livrarmo-nos desse peso, nossa caminhada ascendente fica mais leve.

Neste final de ano, pratiquemos a gratidão por tudo o que nos foi permitido viver e perdoemos àqueles que nos causaram alguma dor. Desta forma, poderemos voltar nossos olhares ao ano que se aproxima, símbolo dos momentos vindouros, e contemplar os botões das Rosas que promissoramente nos aguardam para regá-las nos jardins de nossas vidas.

Fraternalmente, sob a luz do Summum Supremum Sanctuarium,


ZadKiel S::: I::: R+

domingo, 29 de janeiro de 2012

Prefácio à 2ª Edição de "Logos, Mantram, Magia"

NOTA DEL RE-EDITOR
(Por Parsival Krumm-Heller)


Queriendo cumplir el deseo de muchos estudiantes Rosacruces y de otras personas interesadas, me he decidido a reeditar esta obra de nuestro querido Maestro, Don Arnoldo Krumm-Heller, a pesar de los grandes sacrificios que ello significa. Su autor no nos dejó solamente sus obras sino que nos indicó también el deber de continuar en los estudios en los que nos inició.


Para los nuevos lectores voy a exponer aquí algunos datos biográficos sobre el autor.
Don Arnoldo Krumm-Heller nació en Salchendorf (Alemania), el 16 de abril de 1876. Descendía de una familia alemana que había emigrado a México en 1823.


Estudió medicina y ciencias naturales en Alemania, Francia, Suiza y México, otorgándole la Universidad de la ciudad de México el título de doctor honoris causa.
Durante varios años fue profesor de idiomas en la Escuela Nacional Preparatoria, e Inspector de Escuelas Extranjeras por encargo del Ministerio de Instrucción Pública. Tomó parte en la revolución de Madero y más tarde en la de los constitucionales del Presidente Carranza. Fue Coronel Médico Militar del ejército mexicano, así como también Director General de las Escuelas e Tropa. Comisionado por el Ministro de Guerra, estudió el servicio sanitario en campaña durante la guerra mundial de 1914 y asistió al Congreso Médico de Budapest en el que leyó un trabajo sobre la malaria. Como diplomático fue Ministro de México en Suiza, con misión especial y luego pasó con el mismo cargo a Alemania, donde permaneció hasta el fin de la primera Guerra Mundial. Asistió a varios Congresos Internacionales y perteneció a numerosas sociedades científicas. Ha publicado en español numerosas obras, entre las cuales merecen citarse “Mi sistema”, “Humboldt”, “Los Tatúas y su aplicación en la vida práctica”, “Conferencias esotéricas”, “Biorritmo”, “Osmoterapia”, etc.


Su mayor atención la dedicó a los estudios ocultistas, sobre los que publicó muchos libros y artículos. Era Comendador Mundial de la Fraternidad Rosa-Cruz Antigua y Arzobispo Supremo de la Iglesia Gnóstica. La labor que realizó en este sentido nos es bien conocida a todos los que hemos estudiado sus libros, cursos y revistas. En los últimos años de la segunda Guerra Mundial fue perseguido por los agentes del Gobierno Nazista, siendo confiscada gran parte de su valiosa biblioteca.


No obstante, prosiguió su labor, sabiendo muy bien los grandes peligros que corría con ello. Poco antes de terminar la guerra pudo ocultarse librándose así de las penalidades de los campos de concentración, hasta que el 8 de mayo de 1945 entraron las tropas americanas dando fin a la gran contienda. Inmediatamente, a pesar de lo quebrantada que se hallaba ya su salud, comenzó de nuevo su labor en los países de América. Grandes fueron las penalidades que sufrió en los últimos años de su vida.


Muchos de sus queridos discípulos vinieron a visitarle desde lejanas tierras poco antes de acercarse el supremo momento en que se trasladó a los planos superiores, el 19 de abril de 1949.


Pero no se ha alejado de nosotros, su obra permanece, y a mi me dejó todas sus labores y el deber, como sucesor suyo, de proseguir el camino por él emprendido.


¡Que sirva esta reedición de homenaje amoroso a su recuerdo y a su labor!


PARSIVAL KRUMM-HELLER

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Irmandade Invisível

Um dos questionamentos mais frequentes dos leitores deste blog diz respeito às afirmações sobre a existência de uma Irmandade Invisível. Decidi, portanto, dedicar algumas linhas ao tema, para que não persistam interpretações supersticiosas sobre minhas palavras.

Ressalta de nossos Manifestos que, no início, a Confraria da Rosa+Cruz era formada por um grupo de pessoas facilmente determinadas. Essas pessoas, no entanto, logo se separaram, mantendo o compromisso de reunirem-se apenas uma vez ao ano, na Casa do Espírito Santo. Misturaram-se e fizeram-se imperceptíveis, por amoldarem-se às culturas locais, cada qual encontrando, ao menos, um discípulo ao qual iniciava nos mistérios da Fraternidade.

Foi, assim, difundindo-se o Rosacrucianismo, de forma mais ou menos fiel à mensagem original, na medida em que sucediam-se as gerações e a mensagem era transmitida por pessoas que a entendiam de modo mais ou menos condizente com a ideia original, tal como exposta por nosso Pai CRC.

Grupos foram formados, de acordo com as preferências e inclinações de seus idealizadores. No seio desses grupos, a mensagem trazida pelo Pai CRC passou a ser disseminada por diferentes meios ou corpos doutrinários. Houve os que a veiculavam valendo-se das alegorias alquímicas; outros, da Cabala; outros, do hermetismo; outros, do gnosticismo; outros, da magia natural; e assim por diante.

Porque velada em alegoria, a mensagem foi, por muitas vezes, mal entendida. E, ainda assim, mesmo sem a intenção de fazê-lo de modo equivocado, foi propagada.

Houve, contudo - como há -, quem possuísse como que chaves para decifrá-la. Nem todos tinham todas as chaves, mas alguns tinham chaves que abriam certos portais, e outros tinham chaves diversas, capazes de abrir outras portas.

Ocorre que as divisões estabelecidas pelos muros erguidos ao redor dos grupos impediam os irmãos de ter acesso às chaves que lhes faltavam, muitas vezes acontecendo de um ou outro irmão sequer imaginar ou acreditar que havia outras portas e outras chaves.

Outros, porém, entendiam a naturalidade da multiplicidade e da diversidade, e, assim, compreendiam que qualquer verdade é apenas parcial. Sob o signo CR, estes comunicavam-se para além dos muros e, mesmo em outras paragens, reconheciam-se como Irmãos.

Ainda hoje é assim. Existem aqueles que não imaginam, não acreditam ou não aceitam a existência do "outro", crendo-se autosuficientes - como, de resto, lhes é de direito.

Existem, também, aqueles que, tendo atingido um certo grau de entendimento, imediatamente compreendem a Mensagem subjacente ao simbolismo que a envolve. A partir daí, entram em comunhão com almas que, como eles, aspiram aos ideais divinos, reconhecendo-as como companheiras de jornada, independentemente da denominação, linhagem, procedência, nacionalidade ou qualquer outro muro que estabeleça divisões.

Nada há de etéreo na Irmandade Invisível. Ela é formada por quem, tendo as letras CR gravadas em seu coração, compõe esse último grupo - cujos membros, dadas as facilidades do mundo moderno, atualmente reúnem-se na Casa do Espírito Santo, não uma, mas tantas vezes quanto julgarem necessário, prudente ou conveniente à Grande Obra, cuja tônica é o Serviço à humanidade.

O Servidor não trabalha para si, não visa à satisfação de suas vaidades nem está em busca de títulos, graus, distinções ou o que quer que, posto que ofertado pelas organizações "espiritualistas" destes e de outros tempos, apenas dividem, quando o propósito de uma Fraternidade deveria ser somar.

Portanto, os membros da Irmandade Invisível, não estando atados a signos de autoridade temporal, podem deslocar-se à vontade, comunicando-se como iguais - ainda que necessitem de traduções interculturais - e obrando em favor de seus semelhantes, sem pedir nem esperar qualquer retorno.

Estabelecer contato com essa Irmandade exige aspiração pura, prática diligente e serviço desinteressado. Não adianta procurá-la às cegas, pois é ela quem emite o chamado a quem está apto a ouvi-lo.

Espero ter, com estas linhas, lançado alguma luz sobre a questão.

Que floresçam Rosas em sua Cruz,

ZadKiel R+

terça-feira, 21 de junho de 2011

EMBAIXADA DO SUMMUM SUPREMUM SANCTUARIUM


E S C L A R E C I M E N T O

À luz das postagens anteriores, já está claro que, para além dos laços que me unem à Fraternidade Invisível - aquela que não possui templos ou sinais externos de reconhecimento -, tenho, também, vinculação com a manifestação visível da Irmandade, corporificada na organização conhecida como "Fraternitas Rosicruciana Antiqua", na qual fui iniciado pelo atual Comendador no Brasil, Irmão Tonapa R+, há cerca de 20 anos.

Está claro, também, que fui nomeado "Enviado Especial e Embaixador do Summum Supremum Sanctuarium" pelo Mestre Parsival Krumm-Heller, de saudosa memória, há uma década. Essa função, que nada tem a ver com a minha filiação à F.R.A. brasileira, lança sobre os meus ombros o peso de uma responsabilidade inesperada, impondo-me uma série de deveres perante meus Irmãos esparsos pelo mundo, sem conferir-me, todavia, a contrapartida dos direitos.

Portanto, não me cumpre - nem me seria lícita a correspondente pretensão - legitimar a atividade de não-iniciados ou grupos recém-formados valendo-me da função de Enviado Especial e Embaixador do S.S.S. ou de discípulo do filho do Mestre Huiracocha.

Isto significa que qualquer um que se escore exclusivamente no contato com a Embaixada do S.S.S. ou em minha relação com Parsival Krumm-Heller, visando a legitimar uma nova “linhagem” ou um novo “movimento” da Fraternitas Rosicruciana Antiqua, ou bem está enganado, ou bem está enganando.

A legitimidade de qualquer ramo ativo da Fra. R.C. Antiqua é verificada pela linha de sucessão, que une o atual Comendador ao Comendador Passado e assim sucessivamente, até chegar à figura de nosso Fundador, Dr. Arnoldo Krumm-Heller (Mestre Huiracocha), célebre Rosacruz alemão, que tinha especial carinho pela América Latina.

Este esclarecimento se faz necessário diante de rumores que tentam perturbar a paz de quem vive a serenidade do Eixo e efetivamente perturbam aqueles que vêm em graus e outros sinais de autoridade um brilho mais cintilante do que a luz secreta, que brota do Coração.

domingo, 19 de junho de 2011

HOY. PARSIVAL KRUMM-HELLER


É com espanto que percebo que alguns Irmãos desconhecem os mais elementares traços biográficos de meu saudoso Mestre e filho do Fundador da Fraternitas Rosicruciana Antiqua, Parsival Krumm-Heller.

Parsival recebeu intensa preparação, tanto por parte de seu pai, como por parte de grandes Mestres das ciências ocultas, tendo viajado pela Europa, África e Oriente Médio em busca de fórmulas e informações hermeticamente guardadas em Templos desconhecidos dos olhos dos profanos.

Após refugiar-se na Austrália, fugindo dos fantasmas do Nazismo, Parsival - que liderou a F.R.A. de 1949 a 1956 - dedicou-se ao estudo, ao desenvolvimento, à prática e ao ensino, para um pequeno grupo de discípulos, de fórmulas apontadas nas anotações de seu pai, o Mestre Huiracocha, e de outros Mestres, por este indicados como detentores do conhecimento arcano. Me orgulho de ter sido quem, após anos de insistência, convenceu o Mestre a abrir o seu conhecimento a um grupo, ainda que reduzidíssimo, de pessoas que conheciam sua conexão com a confraria da Rosa+Cruz.

Quis o Mestre Huiracocha que a instrução de Parsival se iniciasse sob a responsabilidade do Mestre Aureolus (Dionisio Ballester), o qual veio a instalar a Aula Mater da Espanha, em 1931. Aproveito, então, para transcrever a saudação feita pelo mesmo Aureolus a Parsival Krumm-Heller como Soberano Comendador Mundial da Fraternitas Rosicruciana Antiqua, logo após a transição do Mestre Huiracocha (Dr. Arnoldo Krumm-Heller). O texto foi gentilmente postado no "blog" do Irmão Rafnael R+, Soberano Comendador do México na linha de sucessão Huiracocha - Perez Hinojosa - Rafnael (cf. rafnaelrc.blogspot.com):

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FRATERNITAS ROSICRUCIANA ANTIQUA
HOY. PARSIVAL KRUMM HELLER
Dionisio Ríos Ballester (Aureolus)

En estos momentos de verdadera crisis moral, cuando parece ser que la humanidad solo se ocupa de cosas triviales, surge este joven Maestro a la palestra, para ponerse al frente de la Fraternidad Rosa Cruz Antigua, por orden “superior” y seguir las huellas de su antecesor, señalándonos el verdadero camino de acuerdo con la época que se avecina (Acuario).

Si el Maestro Huiracocha tuvo que luchar incansablemente para vencer las innumerables dificultades que salían a su paso, en aquellos tiempos, para poder cumplir la misión que le había sido asignada, no lo es menos que este joven Maestro, dados los tiempos que corren de crisis mundial en todos los valores, tendrá muchas más dificultades que su antecesor. Muy pocos conocen a este Maestro que hoy está al frente de nuestras labores. Yo que, por orden del Maestro Huiracocha, contribuía a su preparación en sus primeros pasos, sé quién es. Conmigo convivió cerca de un año y por aquel entonces ya pasaba por pruebas muy duras; ya apuntaban en él los destellos de la Maestría que había de ostentar en su día.

Luego tuvo que salir de España y viajar por Europa y Egipto adquiriendo nuevas experiencias, y después de pasar por todas las pruebas, y salir airoso de ellas, ahí lo tenemos bajo los efluvios del Maestro Huiracocha, dispuesto a seguir los pasos de él; laborando por el progreso de la humanidad.

Nosotros estamos orgullosos de él porque sabemos que cumple su nombre PARSIVAL – Per si val – EL HOMBRE QUE VALE POR SÍ MISMO.

Todos sus antecesores han cumplido así en su cargo de acuerdo con la época. Esperamos que este Maestro inyectará nueva savia a nuestras labores y con ello se dará un gran alcance al progreso. Todos los hermanos antiguos, lo mismo que los que ahora empiezan, deben prestarle su ayuda, su colaboración desinteresada, para facilitarle la misión que se le ha encomendado a este joven Maestro.

Por mi parte estoy dispuesto a colaborar de la misma forma que lo hice con su antecesor. Mi cariño, mi fe, mi lealtad la tendrá siempre".


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011


Mensagem aos Irmãos:


Rio de Janeiro, 14 de dezembro de 2010.


Paz, Tolerância, Caridade!


A iniciação é um processo constante: não começa nem se completa com a passagem por um ritual. Na verdade, desde que percebemos, pela primeira vez, que aspiramos aos ideais divinos (e mesmo antes disto!), estamos inseridos no processo de iniciação.

Seja qual for o caminho que decidamos trilhar, o coração sempre nos dirá se estamos seguindo nossa verdadeira vontade – aquela vontade silenciosa, divina em essência e natureza – ou os impulsos da curiosidade. Nisto reside uma das diversas expressões do amor consciente.

Quando, há mais de 25 anos, travei meu primeiro contato com rosacruzes e martinistas, meu coração imediatamente reconheceu que ali encontraria “o meu lugar”. Desde então, tenho me esforçado para honrar a oportunidade de ser um elo da cadeia iniciática: estudo, pratico, mantenho contato com Irmãos e Mestres de várias correntes iniciáticas, do Brasil e do exterior.

Porém, se há algo que aprendi é que nada disto tem qualquer valor, se não nos pusermos a serviço dos Seres de Luz e da Humanidade. Esse serviço nem sempre nos exige grandes feitos, mas tem por parâmetro mínimo a obrigação, alegremente assumida, de sermos bons pais, bons filhos, bons cidadãos, bons profissionais e, no seio de nossa Irmandade, bons irmãos.

Estaremos, desde os primeiros passos, sendo testados. Não que nossos irmãos profanos não o sejam, mas aquela obrigação, que assumimos espontaneamente, nos fará perceber, melhor do que ninguém, que há olhos invisíveis sobre nós. O que importa é que saibamos, nesses momentos de prova, que a Irmandade e sua energia estão sempre ao nosso lado.

Recentemente, como sabem os Irmãos, enfrentei um desses terríveis testes e vivi uma situação ambígua: ao mesmo tempo em que me percebi amparado, quer sobrevivesse ou não, também me vi apavorado diante da possibilidade de perder meu mais amado e precioso tesouro – meu querido filho, Diego.

E, naqueles momentos de aflição, a Irmandade se provou forte e verdadeira. Os anos de prática certamente me deram a serenidade e a força para, mesmo baleado, dirigir até o hospital e manter-me alerta, concentrado e (na medida do possível) tranquilo nos minutos cruciais. E a força de nossa egrégora, gentilmente ativada pelas orações e os pensamentos positivos dos Irmãos e Irmãs, certamente têm contribuído com a Providência para que o processo de recuperação de minha família se faça firme, seguro e eficiente.

Portanto, quero não apenas afirmar minha confiança, mas sobretudo expressar minha eterna e infinita gratidão ao Divino Senhor da Criação, às Irmandades Iniciáticas, aos Mestres do Passado – notadamente aos Mestres Martinez de Pasqually, Louis Claude de Saint Martin, Gérard Encausse, Aleister Crowley, Arnoldo Krumm-Heller e seu filho, meu saudoso instrutor Parsival Krumm-Heller – e a cada um dos Irmãos e Irmãs que compõem essas maravilhosas Correntes de Luz, Vida, Amor e Liberdade. Recebam, por favor, meu “muitíssimo obrigado” e os melhores votos de que floresçam Rosas em sua Cruz.

Fraternalmente,


Marcelo Alexandrino da Costa Santos

(S:::I::: R+)

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Onde está o Anjo?

Eis uma pergunta bastante comum entre aqueles que percorrem O Caminho:
- "O Anjo Guardião está 'dentro' ou 'fora' do Peregrino?"
Invariavelmente, essa pergunta me faz recordar a resposta de um de meus queridos Mestres, um verdadeiro Adepto R+C. Respondia o saudoso Mestre, perguntando, com seu misterioso sorriso de canto de boca:
- "Onde está você"?
A pergunta do Mestre continha, em si, uma resposta menos velada do que aparentava. E aqui lhe respondo, sob o risco que corre qualquer aluno, de não atender às expectativas de seu professor:
Se o Aspirante vê o Sol, como em um Amanhecer Dourado, o Anjo está fora dele. É a ele que dirigia suas preces de criança.
Se o Adepto está no Sol e sente o perfume de uma Bela Rosa, o Anjo está dentro dele. É com ele que conversa no mais absoluto silêncio.
Se agora o que há é um Ovo ou um Ventre nas profundezas de um Abismo Sagrado, no qual um novo ser trabalha em seu mágico repouso, o Anjo foi deixado no Portal.
Se o Mestre navega naquele Mar onde tempo e espaço se dissolvem, já não há mais Anjo, nem Adepto, nem Aspirante, pois tudo é Um.
E acima, no extasiante hálito do Beijo da Deusa, adornada por três ocultos Véus, o Um, que outrora foi Dois, se torna o Nada pulsante; sim, o Um se torna o Nada pulsante.

ZadKiel R+

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Cabala Mística (continuação)


Na primeira postagem sobre o tema (http://zadkiel-rc.blogspot.com/2009/08/sobre-cabala-mistica.html), percorremos as Esferas (Sephiroth) de Kether - no topo da Árvore da Vida - a Tiphereth - no centro de Árvore. Transcreveremos, agora, as anotações do Irmão Poimandres, de Malkuth - a Esfera (Sephirah) que se encontra no ponto inferior da Árvore, representada como um pingente, até Netzach, a sétima Sephirah que, de cima para baixo, sucede Tiphereth e antecede Hod. Ou seja, iniciamos de modo descendente e finalizamos de modo ascendente, tendo Tiphereth como ponto central ou centro gravitacional. Existe um propósito nisto, pois em Tiphereth se realiza a etapa central da Grande Obra (aperfeiçoada em Geburah e Chesed). Por fim, transcreveremos as notas acerca de Daat, a "falsa Sephirah", entre as tríades intermediária e superior.

MALKUTH
~ O Reino ~

É a esfera em que tudo é visível.
Somente em Malkuth, podemos discernir o certo do errado, o verdadeiro do falso.
Em outros planos, basta pensarmos nas coisas, para que elas sejam como pensamos.
Em Malkuth, um gravador será um gravador, mesmo que pensemos que é uma cadeira.

Virtude: estabilidade.
Vício: inércia.
Experiência espiritual: Visão do Sagrado Anjo Guardião, nosso objetivo na Grande Obra (Nota de ZadKiel R+: observem que trata-se da "Visão" do Anjo, não de seu "Conhecimento e Conversação", experiência ocorrida em Tiphereth. Em Malkuth, se tem a visão do Sol como em uma Dourada Aurora; em Tiphereth, se tem um Matrimônio, como na união da Rosa à Cruz).

Há uma relação entre o Sagrado Anjo Guardião e o Eu Superior. Começamos a cumprir nossa missão quando entramos em contato com o Eu Superior.

Imagem Mágica: uma moça sentada em um trono.
Anjos: Ashin, Almas de Fogo e Querubins.
Símbolos: Altar de duplo cubo; cruz de braços iguais; círculo mágico; triângulo da Arte.

Cartas: OS DEZ
Paus: opressão;
Copas: êxito perfeito;
Espadas: ruína;
Ouros: opulência.

Consideradas microcosmicamente, as três últimas esferas do Pilar Central representam:
Malkuth: o corpo;
Yesod: o duplo etérico;
Tiphereth: o espírito superior.

Nome divino: Adonai-Ha-Aretz.
Arcanjo: Metraton (Príncipe das Faces) = Kether; Sandalphon (Arcanjo da Terra); Auriel (Arcanjo do elemento terra).
Chacra Mundano: A totalidades dos elementais, Cholem Ha Yesodoth.

Em Malkuth, somos microcosmos.
O homem é o agente divino de Asiah, e os seres elementais são o aspecto mais inferior, mas encontramo-los desde Kether.
Os elementais são seres automáticos; são leis individuais da natureza, obreiros sob o comando das hostes angelicais.

QUATRO ASPECTOS DA MATÉRIA:
- Subatômica - Adonai - Atziluth de Malkuth;
- Nuclear - Arcanjos - Briah de Malkuth;
- Atômica - Anjos - Yetzirah de Malkuth;
- Celular - Assiah de Malkuth.

Sandalphon não pode ser visualizado, pois seus pés estão na Terra e sua cabeça, no Infinito (Kether). Por isso, diz-se que Malkuth está sentada no trono de Briah. Recebe as ordens de Adonai e as transmite aos Querubins, que as executam.
Podemos invocar Adonai usando a imagem mágica de Malkuth, pois esta representa a própria Natureza.

YESOD
~ O Fundamento ~

Refere-se ao mundo etérico, governado pela Lua.

Nome Divino: Shadai-El-Chai.
Arcanjo: Gabriel.
Anjos: Querubins.
Imagem: Hércules nu.

É uma esfera de grande importância para a Magia (Hod é como um armazém de formas-pensamento humanas; Yesod é como um armazém de pensamentos cósmicos).
Em Yesod, podem-se modificar as imagens, para curar e rejuvenescer.
Corresponde aos órgãos sexuais.
Chifre voltado para cima: Phallus; chifre voltado para baixo: Kteis.

No Tarô: os quatro "Noves":
Paus - força;
Copas: sorte material;
Espadas: crueldade;
Ouros: ganância.

Em Yesod, o iniciado libera a mente subconsciente. Penetrando em sua mente, confronta-se com seis problemas psíquicos e tem a chance de erradicá-los ou corrigi-los (no desequilíbrio, há o risco de exacerbá-los).

HOD
~ O Esplendor ~

Preside o raciocínio mental, lógico e científico.

Virtude: verdade.
Vício: mentira.
Arcanjo: Miguel (proteção contra as hostes das qliphoth, plural de qliphah, as conchas abaixo da Árvore da Vida).
Anjos: Beni-Elohim.
Imagem: Hermafrodita.
Nome divino: Elohim Sabaoth.
Chacra Mundano: Mercúrio.

Há três caminhos do ocultismo que se encontram em Tiphereth:
1 - O do misticismo da natureza e da arte - instrutor: Orfeu - ligado a Netzach;
2 - O do misticismo devocional - instrutor: Jesus - ligado a Yesod;
3 - O da Magia - instrutor: Hermes - ligado a Hod.
Quando se unem em Tiphereth, se complementam. Assim, o magista pode operar sem rituais.

Hod é a esfera da Iniciação.
Nomes mágicos, versículos, talismãs, símbolos etc pertencem a Hod.

Experiência espiritual: Visão do Esplendor.

No Tarô: os quatro "Oitos":
Paus: rapidez;
Copas: êxito abandonado;
Espadas: força amortizada;
Ouros: prudência.

Corresponde ao quadril e às pernas.

Não se pode sublimar estados patológicos, mas sim instintos. Ex: a transmutação de desejos em vontade.

NETZACH
~ A Vitória ~

Estabelece o relacionamento humano, vertical e horizontalmente.
Horizontalmente, causa a amizade e, em excesso, o homosexualismo.
Sentimentos positivos -> imaginação criadora.

Arcanjo: Haniel (Anael).
Chacra mundano: Vênus (que dá vida ao mundo do pensamento).
Anjos: Elohim.
Nome divino: Jeová Sabaoth.
(Auriel = Hamiel, Haniel e Samael).
Virtude: valor, retidão.
Vício: egoísmo, luxúria.
Símbolos: rosa em botão, cinto e lâmpada.
Imagem mágica: uma bela mulher desnuda.
Experiência: a beleza triunfante.

As artes são presididas por Vênus.
Pandora, a primeira mulher.

Quando descemos ao abismo do mal, também vemos coisas estonteantes, mas perigosas.

No microcosmo, são os rins, mas também podem ser associados, como Hod, ao quadril e às pernas.

Netzach é o aspecto mais inferior do Eu Superior, e o mais superior da personalidade.
A personalidade apresenta quatro aspectos: Forma (em Malkuth), Vida (em Yesod), Mente (em Hod) e Alma (em Netzach).

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DAATH
~ O Conhecimento ~

Antes da Queda, Malkuth estava onde, hoje, encontra-se Daath: no Pilar do Meio, logo abaixo de Chokmah e Binah.
É uma esfera de dimensão diferente, considerada a conjunção de Chockmah e Binah.
Em Daath, a fé está alicerçada no ponto mais alto do conhecimento.
A penetração nas Supernas (Binah, Chokmah, Kether) somente ocorre através do Espírito Divino (Neschamah, plano superior), pois, atingindo-se o conhecimento pleno em Chesed, abandona-se o Átomo Permanente, o próprio Sagrado Anjo Guardião, em Daat, extinguindo-se a separatividade da personalidade e do individualismo, assumindo-se a Mônada, em Binah.

Experimenta-se a solidão espiritual, pois ali todos os conceitos são dissolvidos.
Imagem: cabeça com duas faces, olhando dois caminhos.
É a esfera do Karma.
Leva o indivíduo a ser inflexível em sua missão, com amor desprovido de egoísmo.
Experiência espiritual: visão além do Abismo.
Virtudes: desapego, purificação da justiça, confiança no futuro.
Vícios: dúvida acerca do futuro, inércia, apatia, covardia, orgulho que isola e desintegra.
Chacra mundano: Sírius ou Sothis, Alfa da Constelação Cão Maior.

Os quatro Arcanjos:
RAFAEL: Leste, Luz, Ar, Amarelo Ouro.
GABRIEL: Oeste, Visão Interna, Água, Azul.
MIGUEL: Sul, Poder, Fogo, Vermelho.
AURIEL: Norte; Estabilidade; Terra; Amarelo-limão, verde-oliva, marrom e preto.

Anjos: Serpentes Aladas.

A forma mais apropriada aos Arcanjos são grandes pilares; se antropomórficos, devem apresentar seu sigilo, ou selo, no peito.

Os anjos não são seres melhores que os homens. Sua corrente evolutiva é diferente da humana, assim como seus objetivos. São, porém, mais adiantados na evolução.
Os anjos não têm nome individual, somente coletivo.

Os elementais são evolutivamente inferiores ao homem. Estão para os anjos, assim como os animais estão para o homem.

Norte - Gob - Terra - Auriel - Fertilidade;
Oeste - Niksa - Água - Gabriel - Visão Interna;
Leste - Paralda - Ar - Rafael - Luz e Cura;
Sul - Djin - Fogo - Miguel - Proteção.

Anjos e elementais não quebram as leis naturais, consequentemente, não operam milagres.

No fim da evolução, Malkuth retornará ao lugar ocupado por Daath.

KETHER - energia pura;
CHOCKMAH - energia dinâmica;
BINAH -matriz arquetípica;
CHESED - expansão da idéia, organização;
GEBURAH - ajuste da idéia;
TIPHERETH - embelezamento;
NETZACH - composição da idéia, iluminação;
HOD - concretização;
YESOD - fundamento;
MALKUTH- corporização;
DAATH: visão total da idéia. Conhecimento.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Perjuro (por ZadKiel R+)

Silêncio,
Por que te quebras tão facilmente?
São os lábios mais fortes que a mente?

Promessas,
Por que vos esvaís com tamanha facilidade?
É a língua mais forte que a vontade?

Era noite e choravas
À porta do Templo, ansioso aguardavas
Neófito, à Luz tu aspiravas!

Ao doce toque da espada
Irmãos receberam-te de mãos dadas
E tua Cruz se fez menos pesada

Os mistérios abriram-se a ti
Estranhos ritos praticaste ali
Sob os selos de Salomão e de Davi

Silêncio...
Não o prometeste guardar?
Silêncio...
Não o juraste respeitar?

E agora, longe do Altar,
O que era oculto
Ousaste revelar

Mas, perjuro, agora entende
Que o oculto não se compreende
Com a mente, mas se sente

Perdem-se a forma e a aparência
Mas não se viola a essência
Da arcana arte e ciência

Tudo é noite e deserto
Já não tens irmãos por perto
Está fechado o que era aberto

E sozinho seguirás
Até que olhes para trás
E a Palavra já não traias mais

Até que plantes a semente
De nova Rosa e simplesmente
Silencioso, sigas em frente

Silêncio!
Silêncio.
Silêncio...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O Casamento da Rosa e da Cruz

De sete fontes nascem os rios que regam a Rosa.
Suas águas percorrem a Cruz e a fecundam,
Na maré apropriada,
Por doze estações,
Com as substâncias da Estrela Menor.
Gera-se, então, um ser luminoso, onde havia duas sombras.
Eis a Criança, portando mágico Rubi, que, purificado pela Arte, reluz como Ouro.
Unida, assim, à Cruz, exala a Rosa seu Perfume.
Abrem-se, ao Adepto, as portas da Magia Superior.

ZadKiel R+

sábado, 7 de agosto de 2010

Fraternitas Rosicruciana Antiqua

No final dos anos 20 do século passado, o célebre ocultista germânico Arnold Krumm-Heller (Mestre Huiracocha) instituiu a Fraternitas Rosicruciana Antiqua (FRA), organização que ganhou força, principalmente, na América Latina.
Com a morte de Krumm-Heller, em 1949, o Summum Supremum Sanctuarium da FRA deveria ter sido transferido da Alemanha para o Planalto Central brasileiro. No entanto, o Dr. Albert Wolff (que assina a segunda parte da introdução da obra "Del incienso a la osmoterapia"), encarregado dessa tarefa pelo próprio Dr. Krumm-Heller, faleceu no ano seguinte, em Juiz de Fora, MG.
Assumiu, então, a liderança mundial o filho do Dr. Krumm-Heller, Parsival, que dirigiu a Fraternidade de 1950 a 1956, quando retirou-se ao silêncio. De acordo com Parsival, seu afastamente se deu porque seu pai desejava que cada ramificação da FRA seguisse seu próprio rumo, moldando-se de acordo com as especificidades do tempo e do local em que estivesse inserida. De acordo com uma previsão do Mestre - dizia Parsival -, isto implicaria uma certa turbulência, a qual findaria cerca de 50 anos após a passagem do Dr. Krumm-Heller aos planos superiores, quando um Irmão brasileiro estabeleceria pontes fraternas entre os ramos da Fraternidade.
Assim, na segunda metade dos anos 90, Parsival tornou-se mentor nos mistérios rosicrucianos de um Irmão do círculo interno do ramo brasileiro da FRA, tendo-o nomeado Enviado Especial e Embaixador do Summum Supremum Sanctuarium em fevereiro de 2001.
Desde então, esse Irmão tem aproximado diferentes ramos da FRA nas Américas e na Europa. A seguinte página foi criada para possibilitar que oficiais e membros regulares de todas as ramificações da Fraternidade possam entrar em contato com seus Irmãos de outras "linhas de sucessão": http://rosacruzantiqua.wordpress.com
Os estudantes do rosacrucianismo que ainda não conhecem a Fraternitas Rosicruciana Antiqua encontrarão na mencionada página uma série de links, através dos quais poderão ter informações sobre a Fraternidade, em suas diversas manifestações.
Que as Rosas floresçam em sua Cruz!


sexta-feira, 16 de julho de 2010

E à luz rumou Aster...


É com saudades que anunciamos a passagem aos planos superiores do Amigo e Irmão Euclydes Lacerda de Almeida (Frater Aster O.T.O. / Frater Thor A.'. A.'.), ocorrida em 24 p.p.
Euclydes foi membro do Soberano Santuário da Gnose (IXº) da Ordo Templi Orientis, Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros de Thelema, fundador da Sociedade Novo Aeon e autor de inúmeras obras - publicadas por meio de edições privadas - sobre temas ocultistas (confira-se a lista de algumas delas, disponíveis para consulta virtual, em http://www.ocultura.org.br/index.php/Euclydes_Lacerda_de_Almeida).
Foi, também. instrutor de destacados ocultistas brasileiros na senda da A.'.A.'. - inclusive, nos anos 70, de um, então, iniciante chamado... Paulo Coelho!
Iniciado na Fraternitas Rosicruciana Antiqua em Santos Dumont, Minas Gerais, em novembro de 1975, sob a espada do Mestre Paulo de Paula, Euclydes costumava participar, quase sem ser notado, das Missas Gnósticas realizadas aos domingos na Aula Lucis Central, na Tijuca.
Avesso à McDonaldização do Oculto, foi cercado, até o fim de sua vida, de poucos e fiéis discípulos e amigos, assim como de uma família amorosa, grata e dedicada.
Uma nota curiosa: há tempos, eu vinha procurando uma importantíssima carta que me foi escrita, em 1997, pelo Comendador Coaracyporã, da Fraternitas Rosicruciana Antiqua. Há dois dias, havia escrito a um irmão, na esperança que tal carta estivesse com ele... em vão!
Ontem, visitei Teka, a viúva de Euclydes, que me acompanhou ao apartamento em que o Irmão mantinha sua biblioteca, para definirmos como catalogaremos seu imenso arquivo. Ao chegarmos lá, a luz de um dos quartos estava acesa, mas não demos importância.
Percorremos o apartamento apenas identificando com o olhar o modo como o vastíssimo material, fruto de uma pesquisa de mais de 50 anos, estava disposto, até que chegamos àquele quarto. Ali, pela primeira vez, Teka resolveu abrir uma das dezenas de pastas que havia no local. Ela foleava os documentos, quando identifiquei alguns que me eram conhecidos, entre os quais estava... a carta que tanto procurava! Só então que me recordei que havia deixado aquela missiva com Euclydes há mais de 10 anos, pois, ali, o Comendador Coaracyporã falava, entre diversos outros assuntos, de um ex-Irmão da Fra. R.C. Antiqua, Marcelo Ramos Motta (Parzival XIº). Esse Irmão fora o Supervisor-Geral da Ordo Templi Orientis e o primeiro Instrutor do próprio Euclydes, tanto na O.T.O., quanto na A.'.A.'.
E foi assim que o Mestre, desde os planos invisíveis, fez retornar às minhas mãos o documento que eu tanto procurava...

E a luz se soma à Luz, a Rosa desabrocha e deixa a Cruz, o amigo segue viagem, o Mestre se torna invisível... Obrigado pela mão estendida no caminho de volta, pelas provas e lições, pela simplicidade com que apresentava todo o fantástico conteúdo de conhecimento e sabedoria de um autêntico Iniciado, de alguém que esteve aqui e Lá ao mesmo tempo e, mesmo no turbilhão dessas situações aparentemente contraditórias, nos lembrava de sermos quem somos e cumprirmos os desígnios de nossa Vontade.

Vale, Amicus! Vale, Frater! Vale, Magister!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Sobre barreiras, graus e invisibilidade


O que une, e o que separa?
Barreiras separam, e isto é dizer o óbvio.
Ocorre que o óbvio, muitas vezes, não é percebido. Tome-se por exemplo as próprias organizações rosicrucianas. Quantos, tendo sido admitidos ao círculo interno por meio de uma cerimônia, realmente foram iniciados? E isto eu lhes digo: aqueles que batem no peito presunçosamente, dizendo-se membros desse ou daquele grau, ainda não sabem o que é a iniciação. Isto porque graus são barreiras e, portanto, implicam separação, enquanto o verdadeiro iniciado é sempre o promotor da (re)conciliação.
Graus nada representam desde o ponto de vista estritamente iniciático. N-a-d-a. Não são garantia de conhecimento, nem de sabedoria, nem de autodomínio, nem de autoconhecimento, nem de iluminação, nada de nada.
Graus revelam que o seu detentor se encontra há um certo tempo em uma determinada situação dentro de uma dada organização e, no mais das vezes, que não representa uma ameaça ao grupo dominante. De certo, nada mais.
Mesmo nas organizações em que os graus são conquistados por meio da quantidade de instruções recebidas, da presença em reuniões ou da frequência ritualística, não há garantia alguma de que um detentor do último grau tenha mais conhecimento ou vivência do que um recém-chegado. Afinal, há chaves que só são transmitidas - até nestes tempos cibernéticos, em que os limites entre o público e o privado são cada vez mais tênues - de boca a ouvido; e outras que só são conquistadas por meio da verdadeira dedicação aos estudos e à prática.
Neste sentido, nunca é demais repetir: a iniciação não ocorre em um mero ritual de passagem. É preciso muito mais do que isto: necessita-se de uma imersão nos reinos internos, sem a qual qualquer contato com os mundos invisíveis torna-se desprovido de significado espiritual, perdendo-se os passos em uma antecâmara que o aspirante, iludido, acredita tratar-se do Salão d'O Templo.
Quisera poder discorrer sobre tal imersão, sobre a dimensão do significado desse termo, mas somente me é autorizado esperar que o leitor entenda que a literalidade e a metáfora nem sempre se excluem. Para além de a mente ser livre para visitar cada abstrato altar que há no próprio ser humano e, ali, tocar o intocável, é certo que existem, entre o etéreo e o concreto, fluidos que servem de ponte entre os dois mundos, verdadeiros substratos alquímicos. Ah! Paro por aqui, pois o Silêncio me é imposto...
Leitor: não há graus ou barreiras que separem os membros da Confraria Rosa+Cruz. Entre nossos Irmãos, há membros de diferentes organizações rosicrucianas, e há quem jamais tenha ingressado em qualquer instituição congênere. O que nos une está além dos olhos e do intelecto, e nisto reside o segredo de nossa invisibilidade.






quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Interlúdio

Estimados leitores: Luz, Saúde Plena, PAZ!
Desejo a todos os Irmãos, de toda e qualquer ramificação de nossa augusta Irmandade, um Natal feliz e um ano novo próspero e luminoso. Que possam os eflúvios do Altíssimo iluminar os nossos caminhos, a fim de que as Rosas floresçam em nossa Cruz. Com minhas bênçãos gnósticas, ZadKiel R+

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Cabala Mística


Com a devida autorização, passo a transcrever algumas notas extraídas de um antigo diário encontrado na biblioteca do Colégio do Espírito Santo, escrito por um Rosa+Cruz identificado como "Irmão Poimandres".
Faço-o a pedido e sem alterar qualquer passagem. Escreveu o Irmão Poimandres:

"SOBRE A ÁRVORE DA VIDA

Véus de Existência Negativa (acima da Árvore da Vida):
Ain (Não) - O vazio absoluto.
Ain Soph (Ilimitado) - O eterno, no mais puro sentido: se nada há, não existem limites.
Ain Soph Aur (Luz Ilimitada) - O eterno movimento: quando não há limites, as coisas acontecem simplesmente porque não há motivos para não acontecerem.

Árvore da Vida:

AS DEZ ESFERAS (Sephiroth; singular: Sephirah):

Kether - coroa
Chokmah - sabedoria
Binah - entendimento
Chesed - misericórdia
Gebura - força - vontade em ação
Tipheret - beleza
Netzach - vitória - imaginação criadora - emoções elevadas
Hod - Esplendor - mente universal
Yesod - fundamento
Malkuth - reino

A árvore da vida apresenta Deus sob o ponto de vista decimal.
Polaridades: Kether é positivo em relação a Chokmah, que é positivo em relação a Binah e assim por diante.

Serpente Nechushtan: Sabedoria e Iniciação.

OS TRÊS PILARES:

Centro: equilíbrio e consciência: neutro e estático.
Direita: misericórdia: positivo e ascendente - Jachin.
Esquerda: severidade; rigor/forma: negativo e descendente - Boaz.


OS QUATRO MUNDOS (OU UNIVERSOS):

Atziluth - emanação, plano divino. Adoração.
Briah - criação, plano dos arquétipos, idéias, arcanjos. Ética.
Yetzirah - formação, plano dos anjos. Aprendizado.
Assiah (Malkuth) - produção, plano físico, sistema solar visível. Vivência.

Logos - Projeto (Atziluth)
Arcanjos - Plano (Briah)
Anjos - Ordem (Yetzirah)
Elementais - Execução (Assiah)

Arquétipos são imagens primordiais, simbólicas e originais, acumuladas de forte carga energética.
Adam Kadmon é o Logos, não o Adão expulso do Paraíso.

No plano de Assiah, atuam os Chacras do Mundo, os Espíritos dos Planetas. Por exemplo, o chacra de Geburah é Marte, que não deve ser confundido com o planeta Marte, pois trata-se da imagem mágica de Marte, e não da esfera planetária física.

Em Briah, o arcanjo tem sua contraparte no demônio.

Em Atziluth, não há bem nem mal, pois se está fora do "sistema solar".

A invocação das forças de Atziluth não pode ser feita, senão mediante os arcanjos do plano de Briah; caso contrário, a personalidade humana seria destruída.

OS QUATRO PLANOS:
Neschmah (Intelectual) - Kether, Chokmah, Binah.
Ruach (Moral) - Chesed, Geburah, Tipheret, Netzach, Hod.
Nephesh (Astral, Físico-Emocional) - Yesod.
Guph (Corpo Físico) - Malkuth: resumo de tudo.

No homem:
As esferas da árvore: qualidades, aspectos.
Os caminhos que ligam as esferas: estados de consciência.
Três Pilares: forças cósmicas.
Três aspectos do logos: Kether (Yechidah)/Vontade; Chokmah (Chiah)/Amor; Binah (Neschamah)/Mente.

Deve-se subir a árvore e retornar ao físico, pois de nada vale o conhecimento sem sua aplicação concreta, assim como a experiência sem o conhecimento. Subida e descida, portanto, não estão associadas a bem/bom/mal/mau.

Vel de Queshet - o abismo menor, entre Yesod e Tiphereth: a noite da alma, quando o iniciado caminha isolado. Após atravessá-lo, une-se a seu eu superior ou Sagrado Anjo Guardião.

Vel de Paroketh - véu do templo, por trás de Tiphereth: o que se rompe com a crucificação. É análogo a Daath, mas numa oitava inferior.

Daat ("A Falsa Sephirah) - Abismo entre Tiphereth e Kether, pelo Pilar Central, acima das esferas de Geburah e Chesed - A união entre as forças sutis e a matéria.

A árvore qliphótica (projetada abaixo da Árvore da Vida):
Os qliphoth (singular: qliphah; tradução: conchas ou meretrizes) são as águas do caos. São as energias desequilibradas.
A árvore qliphótica foi formada pelo excesso das forças emanadas de Kether, projetadas nas águas inferiores, abaixo de Malkuth.

Rituais:
Devem ser iniciados com a invocação do Deus correspondente e finalizados com uma ação de graças, como se o objetivo já houvesse sido alcançado. Antes, porém, da invocação, é necessário meditar sobre a forma espiritual da Sephirah, pois o ritual deve principiar no plano espiritual.
Mesmo que pareça infrutífero, o ritual começa por imprimir na aura o benefício; depois, vem a manifestação física.

Deus é imanente e transcendente a um só tempo: o homem é uno com Deus.
A Magia pode ser subjetiva (transmutação da consciência) ou objetiva (efeitos físicos visíveis).
No princípio, o requisito básico para o magista é a Fé; com o sucesso, esta transforma-se em Certeza.
Em Magia, a dúvida é fatal.
O relaxamento é necessário às mensagens internas.

AS SEPHIROTH:

KETHER
- A Coroa -

Manifestação primeira d'O Imanifesto.
Equivale a Parabrahman.
Associação planetária: Netuno.
Imagem mágica: um rei idoso, de perfil direito. O lado esquerdo é como um livro fechado.
Arcanjo: Metraton.
Ordem angélica: Chaio-ha-kadesh.
Chacra mundano: Reshit ha gilgalim - redemoinhos, nebulosas.
Chacra humano: coronário - Yeshidah - chispa divina.
Nome divino: EHEIEH, que se relaciona com Atziluth.
E - começo;
HE - cristalização;
I - frutificação.
EH - cristalização.

Kether contém a ideia oculta dos sefiroth subsequentes.
Quem atinge seu estágio, dele não retorna.
Experiência: união com Deus.

Os quatro ases:
Paus: poderes do fogo;
Copas: poderes da água;
Espadas: poderes do ar;
Ouro: poderes da terra.

A jornada evolutiva consiste em fixar a individualização da consciência, de modo que a chispa divina mantenha sua individualidade no final da evolução.
E HE I HE = "Eu estou sempre em transformação". Trata-se do aspecto manifesto: o aspectooculto de Deus não está em transformação.

CHOCKMAH
- A Sabedoria -

Manifestação do aspecto masculino de Kether.
Yod, Falo, Torre, Pedestal.

Imagem mágica: homem barbado, viril, maduro.
Nove divino: Jeovah.
Chacra mundano: Urano / Mazloth.
Experiência: visão de Deus.
Virtude: devoção.
Conhecimento da polaridade, simbolizado pelo Caduceu de Mercúrio.
Lado esquerdo do rosto.
Arcanjo: Ratziel (pilar cinza com azul), o "Arauto de Deus".
Anjos: Seraphim ou Rodas (rodas cinzentas com fundo negro).

Os quatro "dois":
Paus: dominação;
Copas: amor;
Espadas: paz;
Ouros: modificação harmonioza.

BINAH
- Entendimento -

A mãe da forma. Entendimento interno, além da razão.
"A Grande Mãe". Dá forma à manifestação.
É menos abstrato do que Chockmah.
Yoni, Cálice.

Completa o triângulo superno: Kether, Aleph, ar primordial; Chockmah, Shin, fogo gerador; Binah, Mem, grande mar.

Entendimento + Sabedoria = Conhecimento (Daath).

Chacra mundano: Saturno, o planeta da estabilidade, conservador.
Nome divino: Jeovah Elohim.
Virtude: Silêncio.
Arcanjo: Zaphkiel.
Anjos: Aralim (Tronos), Seres Poderosos.
Lado direito do rosto.

Os quatro "Três":
paus - força;
copas - abundância;
espadas - infortúnio;
ouros - trabalhos materiais.

Em Binah, habitat da mônada, a fé se torna certeza.
A chave da Magia é a criação de formas ou canais para a manifestação de forças, e Binah é a mãe da forma.
Zaphkiel é o guardião dos Arquivos Akáshicos. É corretor e retificador (Carma).

CHESED ou GEDULAH
- A Misericórdia ou a Glória -

Imagem: Rei no trono, pacífico e legislador.
Experiência: Visão do Amor.
Chacra Mundano: Júpiter.
Braço ou ombro esquerdo.
Representa o estado de consciência dos Mestres da Sabedoria.
Virtude: obediência (à vontade divina).
Símbolos: cubo, cetro, vara, esfera.
Nome divino: EL (Aleph: começo; Lamed: movimento, coração do alfabeto hebraico).
Arcanjo: Zadkiel.
Anjos: Chamas cintilantes. Invocados, equilibram a mente e propiciam o autocontrole.
Tarô: Quatro "quatros": Paus - obra perfeita; Copas - prazer; Espadas - descanso após a luta; Ouro - poder terreno.
Chesed/Gedulah faz fronteira com o Justiceiro: Geburah.

GEBURAH
- A Fortaleza -

Imagem: Rei em guerra, em seu carro.
Chacra mundano: Marte.
Símbolos: corrente (lentidão), açoite (dinamismo).
Experiência: Visão do Poder.
Virtudes: energia e valor.
Títulos: Din - Justiça- e Pachad - Temor (ao ser supremo).
Pentagrama.
Adeptos Maiores / Espíritos Luciferinos.
Nome Divino: Elohim Gibor.
Arcanjo: Khamael (Punidor).
Anjos: Serafins, Potesdades, Serpentes de Fogo (anjos obscuros).
Quatro "Cincos": Paus (luta), Copas (prazer perturbado), Espadas (derrota), Ouros (conflito terrestre).

TIPHERET
- A Beleza -

É o centro de equilíbrio da árvore sefirótica. Completa o triângulo ético.
Nome divino: Jeovah-Eloah-Va-Daath.
Arcanjos: Raphael (Divino Médico) e Miguel (Arcanjo Solar).
Anjos: Malachin, Reis ou Virtudes.
Chacra Mundano: o Sol.
Experiência: Visão da Beleza Manifestada na Natureza; Equilíbrio da Árvore da Vida.
Imagem: Um Rei Magestoso (Melek, marido de Malkah - título atribuído a Malkuth); uma Criança, filha de Kether. A grande Face, que Tipheret produz numa espiral inferior; um deus sacrificado, que é a morte de uma energia que renasce em outro nível.
É o mediador entre o micro e o macrocosmo; representa o ponto mais baixo da individualidade.
Virtude: realização da Grande Obra (Cristo Interno).
Peito; plexo solar.

Reis elementais relacionados com Tipheret:
Paralda - Ar; Niksa - Água; Djin - Fogo; Gob - Terra (os reinos, em si mesmos considerados, se encontram em Malkuth).

Sílmbolos: Cruz, Lâmen, Cubo, Pirâmide truncada.
Cartas: os Seis - Paus - vitória; Copas - alegria; Espadas - êxito merecido; ouros - êxito material.

Em Tiphereth, ocorre a experiência conhecida como o Conhecimento e Conversação do Sagrado Anjo Guardião.

(continua...)